Pular para o conteúdo

Plantas tóxicas para cães e gatos

22 plantas de casa e de jardim que fazem mal a cão e gato, 6 delas graves, cada uma com o nome científico conferido e as fontes à vista. A ordem é por gravidade, não por ordem alfabética: o que mata vem primeiro.

Se o animal encostou na planta

Procure atendimento veterinário de urgência, mesmo que ele pareça bem e mesmo que você não tenha visto ele comer. Leve um pedaço da planta ou uma foto. Não provoque vômito por conta própria: em parte dos casos isso piora o quadro.

Se você tem gato, leia esta

Lírio é o caso mais grave que existe

Para o gato, toda a planta é tóxica: folha, haste, flor, pólen, raiz e até a água do vaso. Uma flor ou duas folhas já bastam para levar à falência dos rins. O alerta vale sem ninguém ter visto o gato comer nada: pólen no pelo é suficiente, porque ele se lambe. No cão o quadro é outro, bem menos grave. Gato e lírio não convivem no mesmo ambiente: a planta sai de casa.

Grave 6 plantas

Pode matar ou deixar dano permanente. Atendimento de urgência mesmo sem sintoma.

Espirradeira, também chamada de oleandro

Nerium oleander

Grave

Quem sofre: Cão e gato.

A planta inteira contém uma substância que age no coração. Provoca vômito e perda de apetite, batimento cardíaco irregular, fraqueza e colapso. A obra de referência veterinária registra que a planta é tóxica fresca ou seca, o que faz da poda um risco, porque o galho cortado no chão continua perigoso. Atendimento veterinário de urgência.

fontes desta linha

Azaleia

Rhododendron simsii e outras espécies do gênero Rhododendron

Grave

Quem sofre: Cão e gato.

Todas as partes da planta contêm substâncias que afetam o coração e o sistema nervoso. A fonte de toxicologia veterinária registra vômito, salivação e cólica, alteração de ritmo cardíaco e pressão baixa, além de abatimento e convulsão, e diz que o quadro pode aparecer em cão ou gato que comeu apenas poucas folhas ou flores. A Flora e Funga do Brasil registra "azaléia" para Rhododendron simsii, espécie cultivada no país.

fontes desta linha

Cica, também chamada de palmeira-sagu ou sagu

Cycas revoluta

Grave

Quem sofre: Principalmente cão. Há casos relatados em gato, ainda pouco estudados.

Qualquer parte da planta é tóxica, e a semente é a pior. Provoca quadro digestivo grave, alteração neurológica (marcha cambaleante, fraqueza, convulsão) e lesão do fígado, com risco de morte. Uma revisão revisada por pares registra uma casuística com mortalidade de até 67% em cães, maior quando a semente foi ingerida. É número de um levantamento específico, não uma taxa universal. Plantas parecidas vendidas como palmeira dão o mesmo quadro.

fontes desta linha

Mamona, também chamada de carrapateira

Ricinus communis

Grave

Quem sofre: Cão e gato.

A semente concentra uma toxina muito potente. Mastigar e engolir uma ou duas sementes pode levar a um quadro digestivo grave, com diarreia com sangue, fraqueza e tremor, e a falência de órgãos. Detalhe brasileiro que muda o risco: a Flora e Funga do Brasil registra a mamona como naturalizada em todos os 27 estados, inclusive em área urbana. Ou seja, ela nasce sozinha em terreno baldio e beira de estrada, e o risco é tanto de passeio quanto de jardim.

fontes desta linha

Lírio-amarelo, também chamado de lírio-de-são-josé

Hemerocallis fulva e espécies afins do gênero Hemerocallis

Grave

Quem sofre: Gato, pelos mesmos motivos do lírio verdadeiro.

Provoca no gato o mesmo tipo de quadro do lírio: vômito, dor na barriga, desidratação e falência dos rins, com qualquer quantidade de folha, haste, flor, pólen, raiz ou água do vaso. O encaminhamento é atendimento veterinário de urgência. O nome científico vale ao lado do popular, porque "lírio-de-são-josé" também circula no Brasil para a amarílis, que é outro quadro.

fontes desta linha

Lírio

Lilium longiflorum, Lilium formosanum e outras espécies do gênero Lilium

Grave

Quem sofre: Gato. É o gato que corre risco: o cão exposto a lírio não desenvolve lesão nos rins, no máximo um desconforto de estômago se comer muito.

Toda parte da planta é tóxica para o gato: folha, haste, flor, pólen, raiz e a água do vaso. Provoca vômito, dor na barriga, desidratação e falência dos rins, e uma ou duas folhas ou uma flor inteira já bastam. O alerta vale mesmo sem ninguém ter visto o gato comer nada: basta pólen no pelo, porque ele se lambe. Diante de qualquer contato, atendimento veterinário de urgência.

fontes desta linha

Moderada 12 plantas

Quadro doloroso ou que pede atendimento, sem risco de morte na maioria dos casos.

Amarílis (às vezes chamada de açucena ou de "lírio" de algum tipo)

Hippeastrum spp.

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Entra na página como falso lírio: não é lírio verdadeiro, embora muitos nomes populares dela usem a palavra. Folhas, hastes e bulbo contêm substâncias que podem causar vômito, queda de pressão, tremor, convulsão e depressão respiratória, e o bulbo concentra também cristais que provocam salivação e desconforto na barriga. O efeito documentado é esse. O quadro de falência dos rins descrito no gato é atribuído ao lírio verdadeiro e ao lírio-amarelo.

fontes desta linha

Flor-da-fortuna (também calanchoê)

Kalanchoe blossfeldiana

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Pertence a um grupo de plantas com substâncias que afetam o coração, mas na prática a ingestão por cão e gato costuma dar irritação do estômago e do intestino, com vômito e diarreia. Em quantidade grande há risco de alteração de frequência e ritmo cardíaco, fraqueza e colapso.

fontes desta linha

Hortênsia

Hydrangea macrophylla

Moderada

Quem sofre: Cão e gato, mas a própria fonte diz que a intoxicação é mais frequente em animais de produção, que comem grande quantidade e mastigam bem.

A planta tem compostos que liberam cianeto quando ela é mastigada ou machucada. A lista de sinais da fonte de toxicologia veterinária inclui vômito, salivação, respiração difícil, colapso, convulsão e morte. Em cão e gato o cenário é menos comum do que em boi ou cabra, mas é planta onipresente no Sul do país e qualquer suspeita de ingestão é caso de veterinário.

fontes desta linha

Cheflera

Heptapleurum arboricola (grafia antiga: Schefflera arboricola)

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Contém cristais na estrutura da planta: mastigar provoca dor e irritação nos lábios, na boca e na garganta, com salivação, engasgo e vômito. A obra de referência veterinária descreve quadro mais brando: irritação de mucosa, salivação, perda de apetite e vômito.

fontes desta linha

Costela-de-adão

Monstera adansonii e M. subpinnata levam esse nome na base botânica brasileira; a planta de vaso vendida assim é em geral M. deliciosa, que na mesma base consta como "ananas-japonês"

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Todas são da família do comigo-ninguém-pode e o efeito documentado é o mesmo: cristais que a mordida libera, com dor e irritação na boca, salivação e vômito.

fontes desta linha

Lírio-da-paz

Spathiphyllum wallisii

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Outro falso lírio: é da família do comigo-ninguém-pode e contém cristais. O efeito documentado é dor e irritação na boca, salivação e vômito, não o quadro renal do lírio verdadeiro.

fontes desta linha

Copo-de-leite (a mesma base botânica registra também "cala-branca" e "lírio-do-nilo")

Zantedeschia aethiopica

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Não é lírio, apesar do apelido: é da família do comigo-ninguém-pode. O efeito documentado é de cristais: dor na boca, salivação e vômito, com risco de inchaço de língua e garganta. O quadro de falência dos rins descrito no gato é atribuído ao lírio verdadeiro (Lilium) e ao lírio-amarelo (Hemerocallis), não a esta planta.

fontes desta linha

Antúrio

Anthurium spp. (o cultivar mais vendido, A. andraeanum, não tem verbete na base botânica brasileira; "antúrio" está registrado para outras espécies do gênero)

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Contém os mesmos cristais das outras plantas da família: mastigar folha ou haste provoca irritação e dor nos lábios, na boca e na garganta, com salivação e vômito.

fontes desta linha

Jiboia (jiboia-verde)

Epipremnum aureum

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Cristais microscópicos na planta inteira: morder provoca dor e irritação nos lábios, na boca e na garganta, com salivação, engasgo e vômito, e raramente inchaço grave da garganta. A obra de referência veterinária é direta: a planta inteira é tóxica e a dor é intensa e imediata em qualquer parte mastigada.

fontes desta linha

Filodendro (a base botânica brasileira registra ainda "filodendro-roxo" para a espécie mais comum em vaso)

Philodendron spp., inclusive Philodendron erubescens

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Também é planta de cristais: a mordida provoca dor imediata e irritação na boca, com salivação, engasgo e vômito. A obra de referência veterinária acrescenta inchaço de língua e garganta e dificuldade de respirar, e menciona ainda relatos de quadro neurológico e de lesão nos rins em gato, como relato, sem mecanismo estabelecido. Não é o caso do lírio e não deve ser apresentado com o mesmo peso.

fontes desta linha

Tinhorão

Caladium bicolor, e o gênero Caladium em geral (a fonte clínica trata o gênero)

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

Mesmo mecanismo do comigo-ninguém-pode: morder libera cristais que penetram no tecido e irritam. Os sinais a observar são salivação, o animal levando a pata à boca ou ao rosto, dor na boca, queda de apetite e vômito; muito raramente há inchaço das vias aéreas. Os cristais são mais concentrados no rizoma, justamente a parte que as pessoas guardam para replantar. Atenção ao nome: no Brasil "tinhorão" às vezes é usado para orelha-de-elefante (Alocasia, Colocasia), que são outros gêneros da mesma família, com efeito do mesmo tipo.

fontes desta linha

Comigo-ninguém-pode

Dieffenbachia seguine (o nome "D. amoena" aparece na base botânica brasileira como sinônimo)

Moderada

Quem sofre: Cão e gato.

A planta tem cristais microscópicos que a mordida libera, causando dor e irritação nos lábios, na boca e na garganta. Os sinais comuns são salivação, engasgo e vômito; raramente há inchaço grave da garganta com dificuldade de respirar. A dor é imediata e costuma limitar o quanto o animal consegue comer, e a morte é pouco frequente, mas a dor é real e a avaliação é veterinária. Há também risco para o olho: se um cristal fica preso ali, a cicatrização pode levar até quatro semanas.

fontes desta linha

Irritação 4 plantas

Desconforto local, vômito ou baba. Incômodo, não emergência.

Bico-de-papagaio (poinsétia)

Euphorbia pulcherrima

Irritação

Quem sofre: Cão e gato.

Tem fama muito pior do que o efeito real, e essa é a correção de mito da página: a fonte de toxicologia veterinária diz que a planta é apenas levemente tóxica para cão e gato e que o envenenamento é bastante exagerado. O leite branco provoca salivação, vômito e, raramente, diarreia, além de irritar pele ou olho no contato, e os sinais costumam se resolver sozinhos. Mesmo assim, quem decide se o sinal é leve é o veterinário, não o tutor.

fontes desta linha

Babosa (aloe vera)

Aloe vera

Irritação

Quem sofre: Cão e gato.

Contém substâncias de efeito laxante. A ingestão provoca desconforto digestivo, com vômito e diarreia, que a obra de referência veterinária descreve como podendo ser abrupta e intensa. Vale um parágrafo na página justamente porque a babosa tem fama de remédio caseiro: é a planta que a pessoa tem em casa com a melhor das intenções.

fontes desta linha

Coroa-de-cristo (também coroa-de-espinho)

Euphorbia milii

Irritação

Quem sofre: Cão e gato.

Provoca irritação leve na boca e no aparelho digestivo, com salivação, perda de apetite, vômito e diarreia. O leite que sai de folhas, hastes e raízes irrita pele e, principalmente, olho: o contato do látex com o olho é a parte mais séria. Vale lembrar que o espinho é um risco à parte, mecânico, sem nada a ver com a toxicidade.

fontes desta linha

Espada-de-são-jorge (também língua-de-sogra)

Dracaena trifasciata (grafia antiga: Sansevieria trifasciata)

Irritação

Quem sofre: Cão e gato.

Folhas e hastes têm saponinas, que provocam salivação e vômito. Em gato foram relatados também pupila dilatada e marcha cambaleante. Nenhuma das fontes lidas descreve morte ou dano permanente em cão ou gato. Ou seja, é planta de mal-estar, não de tragédia, e a página não deve dizer o contrário.

fontes desta linha

Como esta lista foi montada

  • Cada planta exigiu confirmação em duas fontes independentes, ou uma de centro de toxicologia veterinária.
  • O nome popular brasileiro foi conferido contra o nome científico na base Flora e Funga do Brasil, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. É aí que a lista de planta em português costuma errar: o mesmo nome popular circula para espécies diferentes.
  • Planta que não se confirmou ficou fora da lista, e o motivo está declarado abaixo.
  • Nenhuma dose, nenhum tratamento e nenhuma orientação de induzir vômito: isso é decisão de quem está examinando o animal.

O que esta lista não resolve

  • Nenhuma fonte brasileira de toxicologia foi lida: SINITOX/Fiocruz devolveu 403, CIATox-Unicamp e a Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde não responderam, Butantan e SciELO devolveram 403. Toda a camada clínica da lista de plantas está lastreada em fonte estrangeira. A única fonte brasileira usada é a Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro), que sustenta nomenclatura botânica, jamais afirmação clínica. Se for exigido lastro nacional (CRMV, universidade federal, centro de toxicologia brasileiro), essa frente continua aberta.
  • A lista de plantas tóxicas do ASPCA não foi consultada (é servida por banco de dados em JavaScript e não abre por leitura direta). A tabela do Merck Veterinary Manual cumpre função equivalente e foi usada no lugar.
  • Duas plantas comuns no Brasil ficaram fora por lacuna de fonte. Manacá-de-jardim (Brunfelsia): a toxicidade em cão existe em obra de referência veterinária, mas o nome popular não se confirma na base botânica brasileira e o artigo brasileiro que resolveria isso está inacessível. Chapéu-de-napoleão (Thevetia peruviana): o nome popular está confirmado, mas nenhuma fonte veterinária aceitável descrevendo o quadro em cão ou gato foi aberta: há suspeita pela família da planta, e suspeita não vai para o ar.
  • Três nomes populares entram na página como uso corrente, sem confirmação na base botânica brasileira: "espirradeira" e "oleandro" (a base não registra nome popular para Nerium oleander nem para o gênero) e "amarílis"/"açucena" (idem para Hippeastrum). A toxicidade das duas plantas está confirmada; o carimbo do nome, não.
  • Lesão nos rins por filodendro em gato aparece como relato em obra de referência, sem mecanismo estabelecido nem casuística. Não é equiparável ao caso do lírio e não é apresentada com o mesmo peso.
  • Gravidade alta para espada-de-são-jorge não tem lastro: nenhuma das fontes lidas descreve morte ou dano permanente em cão ou gato.
  • A obra de referência veterinária registra, na linha do lírio, que não há relato de toxicidade em outras espécies além do gato; um relato de caso de 2018 descreve o quadro num suricato, e uma revisão descreve também alteração de pâncreas em parte dos gatos. Ou seja, o quadro do lírio é do gato entre os animais de casa, mas não é correto publicar que ele nunca foi descrito fora dele.
  • Nenhuma dose, nenhum esquema de tratamento e nenhuma orientação de induzir vômito em casa foram coletados ou publicados. Diante de qualquer suspeita de contato com planta tóxica, mesmo sem ter visto o animal comer, o único encaminhamento da página é procurar atendimento veterinário de urgência, porque o que é tóxico para um animal depende da quantidade, do porte e de outros fatores que só a avaliação clínica resolve.

Fontes

Consultado em setembro de 2026. Esta página é informativa e não substitui a consulta ao médico-veterinário.

Conhece uma ONG que ficou de fora?

Mande o nome, a cidade e o link do site ou do Instagram. A gente confere se ela está ativa e inclui no guia.

Indicar uma ONG