A ESCCAP recomenda vermifugar pelo menos quatro vezes por ano o gato que tem acesso à rua, e mensalmente o de risco alto: quem caça, come carne crua ou divide a casa com criança pequena. Gato que nunca sai, não convive com outros animais e não come dieta crua fica no grupo de menor risco: uma a duas vezes por ano. No filhote, a primeira dose é com 3 semanas de vida.
A pergunta errada e a pergunta certa
"De quanto em quanto tempo dá vermífugo?" é a pergunta que todo mundo faz. A ESCCAP, sigla do European Scientific Counsel Companion Animal Parasites, responde com outra: que risco esse gato corre?
Dois gatos da mesma idade, na mesma cidade, podem precisar de esquemas bem diferentes. O que muda é o que eles fazem do lado de fora da tigela.
As frequências da diretriz
A sétima edição do Guideline 01, publicada em junho de 2025, organiza assim:
- Gato com acesso à rua ou que fica em área externa: pelo menos quatro vezes por ano, quando a preocupação principal é Toxocara. Vale a mesma conta quando não dá para avaliar bem o risco individual: quatro vermifugações anuais ou exame de fezes quatro vezes por ano.
- Gato de risco alto: mensal, 12 vezes por ano. Entram nesse grupo os que caçam, os que comem carne crua, os que convivem com crianças pequenas ou pessoas imunossuprimidas e os que vivem em gatil coletivo.
- Gato 100% dentro de casa, sem contato com outros animais e sem dieta crua: uma a duas vezes por ano é suficiente.
Sobre tênia a conta é a mesma: pelo menos 4 tratamentos por ano. Estudos citados na diretriz mostraram que de 1 a 3 vermifugações anuais não dão proteção suficiente.
Repare no detalhe que costuma passar batido. O "2 vezes por ano" que virou senso comum no Brasil só vale para o Grupo de Risco A da ESCCAP, o do gato que realmente não sai. Se o seu gato tem sacada sem tela, ele não está nesse grupo.
O calendário do filhote
Para gato, a primeira dose é cedo:
- 3 semanas de vida para a primeira vermifugação;
- repetir a cada 2 semanas até o desmame;
- se o risco for aumentado, por exemplo no filhote com acesso à rua, seguir mensalmente até os 6 meses.
Filhote resgatado da rua entra quase sempre no grupo de risco aumentado. É comum a ONG já ter feito 1 ou 2 doses antes da adoção. O que importa é saber a data da última, para não recomeçar do zero nem deixar buraco no esquema.
Exame de fezes serve no lugar?
Serve. A própria diretriz coloca as duas opções lado a lado: vermifugar 4 vezes por ano ou examinar as fezes 4 vezes por ano. A diferença prática é custo e logística, porque o exame exige coleta em dias diferentes para ter sensibilidade decente, e o resultado negativo não elimina a necessidade de repetir depois.
Para a maioria das casas, o esquema de doses periódicas acaba sendo mais simples de manter.
Por que isso não é só sobre o gato
A Toxocara cati é um verme com importância em saúde pública: os ovos eliminados nas fezes contaminam o solo e podem infectar pessoas, sobretudo crianças. É por isso que a diretriz coloca convivência com criança pequena como critério para subir a frequência, não porque o gato esteja mais doente, mas porque a casa inteira está mais exposta.
Areia higiênica trocada com frequência, fezes recolhidas e mãos lavadas continuam sendo parte do controle, não um detalhe de limpeza.
Fontes
- ESCCAP. Guideline 01: Worm Control in Dogs and Cats, 7ª edição, junho de 2025. Disponível em: https://www.esccap.org/guidelines/gl1/. PDF: https://www.esccap.org/link-document/27/. Acesso em 17 set. 2026.