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Gatos

Vacina de gato: o esquema que a WSAVA recomenda

Quais vacinas são essenciais para qualquer gato, em que idade começa o esquema de filhote, quando é para reforçar e o que fazer com o gato adulto adotado sem carteirinha.

3 min de leitura
Resposta curta

Para a WSAVA, as vacinas essenciais de todo gato são panleucopenia, calicivirose e herpesvírus-1, mais a antirrábica onde a raiva circula, o caso do Brasil. A FeLV é essencial para gatos com menos de 1 ano e para adultos com acesso à rua. O esquema de filhote começa não antes das 6 semanas, com doses a cada 3 ou 4 semanas, e a última dose precisa cair com 16 semanas ou mais.

O que é vacina essencial para gato

A WSAVA, associação mundial de veterinários de pequenos animais, divide as vacinas em essenciais e não essenciais. Essencial é o que todo gato deve receber, independentemente de onde vive.

São três, em qualquer lugar do mundo:

  • panleucopenia felina (FPV), aquela doença que mata filhote em dois dias;
  • calicivirose (FCV);
  • herpesvírus felino tipo 1 (FHV).

As duas últimas são as responsáveis pelo complexo respiratório felino, a "gripe de gato" que na verdade não é gripe nenhuma.

A antirrábica entra como essencial em toda região onde a raiva circula, e a diretriz é explícita ao dizer que isso vale mesmo onde não existe exigência legal. O Brasil é uma dessas regiões.

Já a FeLV, leucemia felina, é considerada essencial em duas situações: para gatos com menos de 1 ano de idade e para adultos que têm acesso à rua ou que vivem com outros gatos que saem. Fora disso, é vacina de decisão individual, conversada com o veterinário.

O calendário do filhote

A regra geral vale para cão e gato:

  • primeira dose não antes das 6 semanas de vida;
  • doses a cada 3 ou 4 semanas até completar 16 semanas;
  • em situação de alto risco, o esquema pode ir até 20 semanas, com intervalo de 2 a 3 semanas.

O ponto que mais gera confusão é o final: a última dose do filhote precisa ser aos 16 semanas ou mais. Não é capricho. Até essa idade, o anticorpo que o filhote recebeu do leite da mãe ainda pode estar circulando e neutralizar a vacina antes que ela funcione. Um gatinho que tomou três doses e fechou o esquema com 12 semanas pode ter ficado desprotegido sem ninguém perceber.

A diretriz de 2024 também recomenda um reforço com 26 semanas, ou logo depois, que substituiu o velho reforço "anual" de 12 a 16 meses. Ele existe justamente para pegar os poucos animais que ainda estavam com anticorpo materno na última dose.

De quanto em quanto tempo reforçar

Aqui está a mudança que mais contraria o hábito da clínica brasileira: para as vacinas essenciais, a WSAVA recomenda revacinar a cada três anos ou mais, nunca com mais frequência do que o necessário. A justificativa está na própria diretriz: há uma quantidade enorme de evidência publicada mostrando que a duração da imunidade das vacinas vivas modificadas modernas chega a três anos ou mais.

Com duas ressalvas importantes para gato:

  • calicivirose e herpesvírus protegem só parcialmente. O reforço anual continua recomendado para gatos de alto risco: quem frequenta hotel, quem divide a casa com outros gatos, quem entra e sai.
  • antirrábica segue a bula. Existem produtos com duração declarada de um ano e produtos de três anos. Quem decide o intervalo é o rótulo do que foi aplicado, não o calendário do ano passado.

O gato adulto que você adotou sem carteirinha

Esse é o caso mais comum em adoção: ninguém sabe se o gato tomou alguma coisa na vida.

Para cão adulto, a diretriz é direta: uma dose única de vacina viva modificada essencial muito provavelmente já é suficiente em animal com mais de 26 semanas. Para gato, a maioria dos fabricantes recomenda duas doses com 2 a 4 semanas de intervalo quando não há histórico, porque parte das vacinas felinas essenciais é de vírus inativado.

E uma regra que vale sempre: vacina inativada exige duas doses, mesmo em adulto. Se a sua veterinária pediu para voltar em três semanas, não é venda casada.

O que anotar na carteirinha

Vale registrar, além da data:

  • o nome comercial do produto e o lote;
  • se a vacina é de um ou de três anos, no caso da antirrábica;
  • a idade do animal na última dose do esquema de filhote.

Essas três informações resolvem 90% das dúvidas na próxima consulta, inclusive a mais chata delas, que é descobrir se o esquema foi fechado cedo demais.

Fontes

  1. WSAVA Vaccination Guidelines Group. Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats (2024). Journal of Small Animal Practice. Disponível em: https://wsava.org/global-guidelines/vaccination-guidelines/. PDF: https://wsava.org/wp-content/uploads/2024/05/2024-Guidelines-for-the-Vaccination-of-Dogs-and-Cats.pdf. Acesso em 17 set. 2026.
  2. Ministério da Saúde. Raiva animal: situação epidemiológica no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal. Acesso em 17 set. 2026.

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