Cão que sai para passear ou fica em área externa precisa de pelo menos quatro vermifugações por ano, segundo a ESCCAP. Cães de risco alto, que caçam, comem carne crua, vivem em canil ou convivem com crianças pequenas, entram em esquema mensal. Uma a duas doses por ano só cobrem o cão que praticamente não sai. No filhote, a primeira dose é no 14º dia de vida.
O hábito brasileiro e o que diz a diretriz
Muita casa vermifuga o cachorro "de vez em quando", normalmente quando lembra. Outras seguem o costume de duas vezes por ano. A ESCCAP, sigla do European Scientific Counsel Companion Animal Parasites, trabalha com outra lógica na diretriz que orienta boa parte da clínica veterinária: frequência por perfil de risco.
A sétima edição do Guideline 01, publicada em junho de 2025, organiza a conta assim:
- Cão com acesso à rua ou a área externa: pelo menos quatro vezes por ano onde a preocupação principal é Toxocara.
- Quando não dá para avaliar bem o risco: também quatro vezes por ano, ou exame de fezes quatro vezes por ano.
- Cão de risco alto: mensal, 12 vezes por ano. Entram aqui os que caçam, os que comem carne crua, os que convivem com crianças pequenas ou pessoas imunossuprimidas e os que vivem em canil coletivo.
- Cão que praticamente não sai, sem contato com outros animais e sem dieta crua: uma a duas vezes por ano.
Para tênia, a recomendação é a mesma: pelo menos 4 vezes por ano. Estudos citados na diretriz mostraram que de 1 a 3 doses anuais não dão proteção suficiente.
Traduzindo para a vida real: o cão que desce 3 vezes por dia para passear no quarteirão não é "cão de dentro de casa". Ele é o caso dos 4 tratamentos anuais, no mínimo. O grupo de 1 a 2 doses por ano, que a ESCCAP chama de Grupo de Risco A, é o do animal que de fato não sai.
O calendário do filhote
Filhote não segue a conta do adulto. O esquema recomendado para cães:
- 14º dia de vida para a primeira dose;
- repetir a cada 2 semanas até duas semanas depois do desmame;
- em risco aumentado, como ninhada criada em grupo, seguir mensalmente até os 6 meses.
Quem adota um filhote resgatado costuma receber o animal com parte do esquema já feita. Pergunte 2 coisas: a data da última dose e o princípio ativo usado. É o suficiente para a veterinária decidir se continua ou recomeça.
Vermífugo não é vacina
Duas confusões comuns valem ser desfeitas.
A primeira: vermífugo não deixa imunidade. Ele mata o que está lá naquele momento. Se o cão voltar a se expor no dia seguinte, volta a se infectar. Por isso a conversa é de frequência, não de "já tomou".
A segunda: vermífugo intestinal não cobre carrapato, pulga nem dirofilariose. São grupos de parasitas diferentes, com produtos e calendários próprios. Muita coleira e muita pipeta prometem "proteção completa" que não existe em dose única.
Por que a frequência sobe quando tem criança em casa
A razão não é o cão estar mais doente. É que a Toxocara canis tem importância em saúde pública: os ovos saem nas fezes, contaminam solo e areia, resistem no ambiente e podem infectar pessoas. Criança pequena se infecta mais que adulto, porque leva a mão à boca depois de brincar no chão.
Recolher fezes do quintal e da rua, lavar as mãos e manter a frequência de vermifugação em dia formam o mesmo pacote de prevenção. É por isso que a diretriz coloca a convivência com criança pequena entre os critérios de risco alto.
Como não errar na prática
- Anote a data de cada dose na carteirinha, do lado das vacinas.
- Pese o cão antes de comprar o vermífugo: dose subdosada é dinheiro jogado fora.
- Se em casa tem mais de um animal, trate todos no mesmo dia: reinfecção entre eles é o motivo mais comum de "não adiantou nada".
Fontes
- ESCCAP. Guideline 01: Worm Control in Dogs and Cats, 7ª edição, junho de 2025. Disponível em: https://www.esccap.org/guidelines/gl1/. PDF: https://www.esccap.org/link-document/27/. Acesso em 17 set. 2026.