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Cães

Vacina antirrábica de cachorro: quando tomar e onde tomar de graça

Quando aplicar a primeira dose, de quanto em quanto tempo repetir e por que em alguns estados a campanha gratuita simplesmente não existe mais.

4 min de leitura
Resposta curta

A raiva canina clássica está sob controle no Brasil, e o último caso pela variante AgV1 foi em 2016, mas cães e gatos continuam se infectando por vírus de morcego e de canídeos silvestres. A vacina antirrábica é considerada essencial pela WSAVA em qualquer país onde a raiva circule, e a campanha nacional gratuita acontece em 23 unidades da federação. Santa Catarina e Rio Grande do Sul não fazem campanha desde 1995 e São Paulo suspendeu a dela em 2021: nesses lugares, a dose sai pela rede privada ou por ações municipais pontuais.

Por que a antirrábica continua sendo obrigatória na prática

A raiva não tem tratamento depois que os sintomas aparecem. É por isso que a vacina entra numa categoria diferente das outras: a WSAVA, associação mundial de veterinários de pequenos animais, classifica a antirrábica como vacina essencial para cães e gatos em qualquer região onde o vírus circule, e acrescenta que isso vale mesmo onde não existe exigência legal.

No Brasil ela circula. O que mudou foi de onde vem.

A variante canina clássica do vírus, aquela que fazia o cão transmitir para outro cão, praticamente sumiu: o último caso pela variante AgV1 foi registrado em 2016, no Mato Grosso do Sul, e o último por AgV2 em 2019, no Maranhão. O número de casos de raiva canina caiu de 635 em 2002 para 13 em 2025. Até junho de 2026, foram seis casos, todos por variantes de animais silvestres.

Ou seja: o cão de hoje não pega raiva do cachorro do vizinho. Pega de morcego, de raposa, de um canídeo silvestre que apareceu no quintal. Entre 2015 e 2026 o país registrou 270 casos de raiva em cães e gatos; 205 deles em cães domésticos, e só 75 correspondiam à variante típica de cão. O resto veio da fauna silvestre: 34,6% das amostras positivas em cães eram de variantes de canídeos silvestres, concentradas no Nordeste, e 14,7% de morcegos, espalhadas pelo país.

Vacinar um cachorro que nunca sai de casa parece exagero até você lembrar que morcego entra em casa.

A partir de que idade

O calendário de filhote da WSAVA começa com as vacinas essenciais não antes das 6 semanas de vida, com doses a cada 3 ou 4 semanas até completar 16 semanas. A última dose do filhote tem que cair aos 4 meses ou mais, porque é ela que fecha a proteção, porque antes disso o anticorpo que veio da mãe ainda pode neutralizar a vacina.

A antirrábica segue a legislação local e a bula do produto. Na prática brasileira, a maioria dos serviços públicos aplica a partir dos 3 meses de idade, e as campanhas costumam usar esse corte.

Para o reforço, a orientação da WSAVA é seguir a bula: existem produtos com duração declarada de um ano e produtos de três anos. Vale olhar o que está escrito na carteirinha do seu animal em vez de repetir o "toda vacina é anual" por hábito. Para as outras vacinas essenciais (cinomose, adenovírus e parvovirose), a recomendação é revacinar a cada três anos ou mais, nunca com mais frequência que o necessário.

Onde tomar de graça (e por que em alguns estados não dá)

A campanha nacional de vacinação antirrábica de cães e gatos é anual e gratuita, organizada pelo Ministério da Saúde com estados e municípios. Só que ela não cobre o país inteiro.

  • 23 unidades da federação participam das campanhas nacionais hoje.
  • Santa Catarina e Rio Grande do Sul não fazem campanha massiva desde 1995.
  • O Paraná manteve a campanha só em municípios de fronteira com o Paraguai, até 2015.
  • São Paulo suspendeu a campanha em 2021, por deliberação da Comissão Intergestores Bipartite, mantendo as outras ações de vigilância e controle da raiva.

A cobertura nacional de 2025 ficou em 78%, um pouco abaixo da meta de 80% da população canina estimada.

Se você mora em um dos estados sem campanha, sobram dois caminhos: a rede privada, onde a dose é barata perto das outras vacinas, e as ações pontuais de prefeitura, que costumam acontecer em mutirões de castração, feiras de adoção e eventos de bem-estar animal. Vale acompanhar o centro de controle de zoonoses ou a secretaria de saúde da sua cidade: muita ação de fim de semana oferece a antirrábica sem custo para quem leva o animal.

O gato entrou na conta

Por muito tempo a campanha foi pensada para cachorro. Hoje o Ministério da Saúde trata o gato como ponto de atenção específico: pelo comportamento de caça, o gato é quem faz a ponte entre o ciclo silvestre e o urbano da doença, e a taxa de vacinação felina é mais baixa que a canina.

Se em casa moram um cão e um gato, o gato costuma ser o que fica sem a dose, e é justamente o que tem mais chance de encontrar um morcego caído no quintal.

O que levar no dia

Nas campanhas e nos postos, o básico é:

  • coleira e guia curta para cães, caixa de transporte para gatos;
  • a carteirinha de vacinação, se o animal já tiver uma;
  • alguém que consiga conter o animal com segurança, porque filas com muitos cães estressam qualquer bicho.

Animais doentes, fêmeas no fim da gestação e filhotes abaixo da idade mínima costumam ser orientados a voltar depois. Não é frescura do posto: vacina em animal debilitado protege menos.

Fontes

  1. Ministério da Saúde. Raiva animal: situação epidemiológica, variantes e casos por ano. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal. Acesso em 17 set. 2026.
  2. Ministério da Saúde. Cobertura vacinal de cães e gatos: participação dos estados nas campanhas e cobertura de 2025, atualizado em 11 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal/cobertura-vacinal-de-caes-e-gatos. Acesso em 17 set. 2026.
  3. WSAVA Vaccination Guidelines Group. Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats (2024). Journal of Small Animal Practice. Disponível em: https://wsava.org/global-guidelines/vaccination-guidelines/. Acesso em 17 set. 2026.

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